A questão do quiabo e o diabetes

Há poucos meses, no programa “Caldeirão do Huck” da Rede Globo de televisão, foi veiculado uma reportagem que mostrava 3 estudantes do ensino médio que teriam “descoberto” efeitos benéficos do uso da “água de quiabo” para o tratamento do diabetes. Antes de tudo é preciso reconhecer a importância de alunos tão jovens se interessarem por pesquisa científica, fundamental não só para medicina como também para diversas áreas do conhecimento. O problema da matéria é que não ficou claro para a população que não se trata de um novo medicamento e muito menos uma alternativa aos tratamentos já disponíveis. Existe inclusive uma paciente que diz claramente que parou de usar as medicações e ficou somente com a referida “água”. Imagine que grandes prejuízos ocorrerão quando pessoas acharem que podem trocar seus remédios pelo quiabo? A televisão tem um papel fundamental na veiculação de informações pois atinge milhões de pessoas diariamente. O problema é quando estas informações estão erradas ou transmitidas de maneira confusa, o que pode ser muito grave. No final da reportagem o Dr. João Régis Ivar Carneiro, presidente da seccional Rio da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), tentou deixar claro as limitações da reportagem, porém era interrompido a toda hora, não podendo dar a informação médica de forma clara. Vemos de tempos em tempos alguns alimentos e/ou substâncias aparecerem como milagrosas, que resolverão esta ou aquela doença crônica. Já foi assim com a berinjela, com a casca da batata e vários outros. Estamos na época do quiabo, quem será o próximo?

Link do posicionamento oficial da SBD em relação à reportagem

http://www.diabetes.org.br/component/content/article/188-slideshow-home/2399-quiabo-e-diabetes-posicionamento-da-sociedade-brasileira-de-diabete

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About Dr. Ricardo Mendes Martins

Médico formado pela UERJ, Especialista em Clínica Médica pelo Hospital da Lagoa (MS), Especialista em Endocrinologia pela UFRJ, Mestre em Endocrinologia pela UFRJ, Título de especialista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Professor de Medicina da Unigranrio e Professor de Medicina da Universidade Federal Fluminense.
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